De maneira geral, a exploração, entendida como a capacidade de apropriação do valor produzido pelo trabalhador por parte do capitalista em três mecanismos-chave, como sustenta Marx (mais-valia relativa, mais-valia absoluta e pagamento de um salário que garanta a reprodução da vida do trabalhador e de sua família), na América Latina, se caracterizará pela utilização excessiva desses mecanismos a partir do pagamento de um salário que não permite a reprodução adequada da vida do trabalhador. Assim, além da exploração pelos dois mecanismos-chave (mais-valia relativa e mais-valia absoluta), aqui se dá a utilização direta de uma exploração sui generis: o pagamento de salários que não permitem ao trabalhador sequer reproduzir adequadamente sua vida, muito menos a de sua família. Essa remuneração perversa ocorre, segundo Marini, devido a alguns mecanismos essenciais:
a) mão de obra abundante no continente, antes a serviço do trabalho escravo, agora a serviço do trabalho assalariado mal remunerado;
b) estruturas sindicais débeis, corroborando o sistema de exploração em vez de lutar contra ele;
c) uma classe operária historicamente jovem, que não tinha ainda consciência para si, nem acúmulo ideológico de um projeto socialista;
d) poder da burguesia nacional diretamente associado aos interesses da burguesia internacional;
e) Estado que responde aos interesses do modo de re-produção do capital.
— Ruy Mauro Marini: “Dialética da dependência” e outros escritos by Ruy Mauro Marini (Page 51 - 52)