Marte started reading Tungstênio by Marcello Quintanilha

Tungstênio by Marcello Quintanilha
Ganhador do Prêmio Angoulême (França)
Ganhador dois prêmios Rudolf Dirks (Alemanha)
Ganhador de um prêmio HQ Mix (Brasil)
“É um …
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Ganhador do Prêmio Angoulême (França)
Ganhador dois prêmios Rudolf Dirks (Alemanha)
Ganhador de um prêmio HQ Mix (Brasil)
“É um …
Em breve, pretendo retomar Banzeiro òkòtó em um texto mais elaborado, porque esse livro mexeu bastante fundo comigo, então merece mais do que uma curta resenha.
E não é porque é um livro perfeito. Longe disso.
Eliane Brum narra nesse livro duas histórias que se cruzam: a do fim do mundo, expressa pelas contradições na cidade de Altamira, não-casa de populações vulneráveis a todo tipo de violência, e a vida de uma mulher branca que resolveu se desbranquear (aqui, o branco no sentido de napë, inimigo, na língua dos yanomami, conceito que tem par em outras línguas de povos originários).
Eliane sabe que é impossível se desbranquear. Nada que ela faça vai apagar a cor branca de sua pele e sua vivência de 58 anos de gaúcha branca, mesmo vivendo em Altamira desde 2017. Isso não a impede de tentar - não de mudar de cor de pele, óbvio que …
Em breve, pretendo retomar Banzeiro òkòtó em um texto mais elaborado, porque esse livro mexeu bastante fundo comigo, então merece mais do que uma curta resenha.
E não é porque é um livro perfeito. Longe disso.
Eliane Brum narra nesse livro duas histórias que se cruzam: a do fim do mundo, expressa pelas contradições na cidade de Altamira, não-casa de populações vulneráveis a todo tipo de violência, e a vida de uma mulher branca que resolveu se desbranquear (aqui, o branco no sentido de napë, inimigo, na língua dos yanomami, conceito que tem par em outras línguas de povos originários).
Eliane sabe que é impossível se desbranquear. Nada que ela faça vai apagar a cor branca de sua pele e sua vivência de 58 anos de gaúcha branca, mesmo vivendo em Altamira desde 2017. Isso não a impede de tentar - não de mudar de cor de pele, óbvio que não, mas de revirar sua cosmologia inteira e permitir que o banzeiro do Xingu a leve para o olho do furacão.
Tem algumas partes do livro que você sabe muito bem que é uma branca escrevendo. Até um excesso de didatismo em certos pontos, pode incomodar alguns leitores. Mas, na minha opinião, o trunfo de Eliane é justamente não negar seu status de branca e entregar uma coisa falsa. Outro trunfo é que ela escolheu, ao contrário de muitas pessoas brancas, ir direto ao olho do furacão para viver sua vida amplificando vozes de quem importa.
E é por isso que esse livro me impactou tanto. Eu sou branca, sou cosmopolita, sou completamente napë, e recentemente tenho me questionado sobre tudo o que acreditava até (quase literalmente) ontem. De novo, o que Eliane entrega aqui não é nada muito revolucionário para quem já vive a vida em Altamira e no olho do banzeiro amazônico. Essa leitura é para nós, branques.
É um livro pesado, que denuncia violência o tempo inteiro, algumas as mais brutais violências dentro do território usurpado pelo Estado brasileiro, então não leia sem se preparar emocionalmente.
Ainda estou processando esse livro, então um texto mais elaborado vai sair, aguardem.
Escritora, jornalista e documentarista, Eliane Brum faz um mergulho profundo nas múltiplas realidades da maior floresta tropical do planeta. Com …
Escritora, jornalista e documentarista, Eliane Brum faz um mergulho profundo nas múltiplas realidades da maior floresta tropical do planeta. Com …
Escritora, jornalista e documentarista, Eliane Brum faz um mergulho profundo nas múltiplas realidades da maior floresta tropical do planeta. Com …
Devorei esse livro em cerca de 24h. As histórias, as escrevivências, de Conceição Evaristo te arrastam para um vórtice de violência, mas também de resistência e de vida. Viver enquanto as treze mulheres negras que Evaristo (d)escreve é viver violentadas, mas mais do que isso, viver com toda a força que a fúria de uma mulher pode proporcionar. A escrita de Evaristo é única, tocante, e o foco nas mulheres negras, mais incomum do que deveria ser. Esse não é um livro para ler desavisade ou tranquile. Leia com o coração.
O elo fundido com técnica literária irrepreensível e grande força de sentimentos apresentado em “Insubmissas lágrimas de mulheres" se revela …
O elo fundido com técnica literária irrepreensível e grande força de sentimentos apresentado em “Insubmissas lágrimas de mulheres" se revela …
Pele Negra, Máscaras Brancas é um clássico de Fanon que ressurge a partir do sucesso de seu livro Os condenados da terra. Alguns tentam colocar em contraposição as visões de Fanon no primeiro (lançado em 1952) e no segundo (lançado em 1961, pouco antes de Fanon morrer de leucemia, aos 36 anos). No primeiro, Fanon explora mais profundamente as relações psicológicas do racismo, tanto nos brancos quanto nos negros (sejam eles africanos ou antilhanos), e tem um cuidado especial sobre a subjetividade. Ainda não li Os condenados da terra, mas, pela sua importância histórica na luta de libertação da Argélia perante a França, entendi pelo posfácio escrito por Deivison Faustino que tem um caráter mais revolucionário e alimentado pelo marxismo. Cedo demais para afirmar qualquer coisa, afinal de contas nem li o livro de 1961, mas algo me diz que essa leitura é injusta com a obra de Fanon.
Em …
Pele Negra, Máscaras Brancas é um clássico de Fanon que ressurge a partir do sucesso de seu livro Os condenados da terra. Alguns tentam colocar em contraposição as visões de Fanon no primeiro (lançado em 1952) e no segundo (lançado em 1961, pouco antes de Fanon morrer de leucemia, aos 36 anos). No primeiro, Fanon explora mais profundamente as relações psicológicas do racismo, tanto nos brancos quanto nos negros (sejam eles africanos ou antilhanos), e tem um cuidado especial sobre a subjetividade. Ainda não li Os condenados da terra, mas, pela sua importância histórica na luta de libertação da Argélia perante a França, entendi pelo posfácio escrito por Deivison Faustino que tem um caráter mais revolucionário e alimentado pelo marxismo. Cedo demais para afirmar qualquer coisa, afinal de contas nem li o livro de 1961, mas algo me diz que essa leitura é injusta com a obra de Fanon.
Em Pele Negra, Máscaras Brancas, Fanon articula brilhantemente psicanálise (com algumas críticas devidas a Freud e Lacan), Hegel, Aimé Cesaire (que eu quero muito ler depois desse livro), Marx, Sartre e outros autores para a construção do que seria o racismo à francesa. Uma coisa que achei curiosa é como o racismo à francesa se aproxima do racismo à portuguesa no sentido de se dizer não racista e sim uma democracia racial: a mesma mentira que usamos no Brasil os franceses alegavam por lá em 1950, numa contraposição falsa ao racismo à britânica.
Minha principal crítica é que Fanon é bem rápido e pungente ao criticar - honestamente e justamente - o racismo branco e a incapacidade do branco de ver o negro como seu igual, ao mesmo tempo que ele lança mão várias vezes de misoginia e homofobia para provar seus pontos. É no mínimo irônico que um autor tão importante para a teoria pós-colonial 30 anos depois defenda pontos de vista tão homofóbicos, incapaz de enxergar as dissidências sexuais como... suas iguais... Mas precisamos tomar cuidado ao não cair no anacronismo ao fazer essa crítica. E Grada Kilomba, na introdução do livro para a Editora Ubu, consegue fazer isso bem.
Recomendo a leitura.
Com uma interpretação psicanalítica da questão negra e uma linguagem literária transformadora, este livro se tornou um dos maiores clássicos …
Extinção da Internet não é apenas uma fantasia de fim de mundo da tecnologia digital que um dia será exterminada …
Lançado originalmente em 1982, Batismo de sangue ganhou o prêmio Jabuti na categoria de melhor livro de memórias, foi traduzido …
O problema negro não se desfaz no problema dos negros vivendo entre os brancos, mas sim no problema dos negros sendo explorados, escravizados, desprezados por uma sociedade capitalista, colonialista, acidentalmente branca. O senhor se pergunta, sr. Salomon, o que faria "se vocês tivessem 800 mil negros na França"; porque para o senhor existe um problema, o problema do incremento dos negros, o problema do perigo negro. O martinicano é um francês, ele quer permanecer no seio da União Francesa, ele só pede uma coisa, que os imbecis e os exploradores lhe deixem aberta a possibilidade de viver humanamente.
— Pele Negra, Máscaras Brancas by Frantz Fanon (Page 212)
Assim, sabendo de tudo isso, sabendo o que o arquétipo senegalês pode significar para um malgaxe, as descobertas de Freud não têm nenhuma utilidade para nós s. (...) É preciso dizer que, em certos momentos, o socius é mais importante do que o homem. (...) O touro negro furioso não é o falo. Os dois homens negros não são os dois pais - um que representaria o pai real e o outro, o ancestral. (...) O fuzil do soldado senegalês não é um pênis, mas realmente um fuzil Lebel 1916.
— Pele Negra, Máscaras Brancas by Frantz Fanon (Page 117 - 120)
Crítica articulada à leitura psicanalítica do fenômeno da colonização feita pelo autor Octave Mannoni. Ele supõe que o negro colonizado tem uma tendência natural psicológica a ser submisso, dependente. Para isso, cita alguns sonhos de jovens malgaxes (de Madagascar) envolvendo touros negros, argumentando que seriam sobre o falo (no sentido psicanalítico). Acontece que Madagascar foi violentamente colonizada pela França, que utilizou dos serviços militares de negros de outras partes da África, especialmente Senegal, para torturar e matar malgaxes. Nesse sentido, Fanon faz uma dura crítica a Mannoni (e, indiretamente, a Freud).