@nigini Lembrei dessa conversa porque reproduzi um texto sobre o assunto: sol2070.in/2025/01/falhas-do-socialismo/ No final, há uma boa bibliografia.
User Profile
Costumo ler fic-spec, filosofia, sobre natureza, política, tech etc. Mais livros no blog → sol2070.in/livros Também escrevo ficção científica → fic.sol2070.in/ Mastodon → @sol2070@mastodon.social Clube do livro Contracapa → contracapa.club
This link opens in a pop-up window
sol2070's books
User Activity
RSS feed Back
sol2070 replied to Carola Rodrigues's status
@Carola.Rodrigues@bolha.review Tentei ler há um tempo e abandonei no início do segundo conto.
sol2070 wants to read Cheap Land Colorado by Ted Conover
sol2070 replied to Miguel Medeiros's status
@Miguel São citações do primeiro artigo? Lembro que pulei o primeiro, enorme, porque estava adentrando demais minúcias bibliográficas.
sol2070 replied to Sally Strange's status
@SallyStrange@bookwyrm.social Do you know "The Fifth Sacred Thing", by Starhawk? Not well known, but kind of classic anarchist fiction (David Graeber used to mention this book). The covers of her books are little bit cheesy, or new agey, but I liked a lot this one.
sol2070 replied to Yuri Bravos's status
@yuribravos @hugu@masto.donte.com.br Esse livro tá há anos na minha fila. Preciso começar logo...
sol2070 reviewed Infinite Detail by Tim Maughan
The end of the internet and the world
5 stars
( em português → sol2070.in/2025/01/livro-infinite-detail-fim-da-internet/ )
“The internet was so enshittified by big tech that it would be better to blow it all up,” someone might think in moments of the angriest frustration. What would a world be like in which the internet is destroyed because it benefits megacorporations far more than people? This is what happens in the (almost) contemporary cyberpunk novel “Infinite Detail” (2019, 384 pgs), by Tim Maughan.
I wish I'd read it sooner. It's a captivating thriller starring a countercultural collective that manages to cancel the internet in a neighborhood in Bristol, England, and replace it with a truly decentralized and free mesh network. The aim was to create an area free from techno-surveillance and big tech domination.
In this not-too-distant future, AR glasses have replaced smartphones, multiplying the level of technological dependence, surveillance and disguised domination. The revolt of people and groups who notice this …
( em português → sol2070.in/2025/01/livro-infinite-detail-fim-da-internet/ )
“The internet was so enshittified by big tech that it would be better to blow it all up,” someone might think in moments of the angriest frustration. What would a world be like in which the internet is destroyed because it benefits megacorporations far more than people? This is what happens in the (almost) contemporary cyberpunk novel “Infinite Detail” (2019, 384 pgs), by Tim Maughan.
I wish I'd read it sooner. It's a captivating thriller starring a countercultural collective that manages to cancel the internet in a neighborhood in Bristol, England, and replace it with a truly decentralized and free mesh network. The aim was to create an area free from techno-surveillance and big tech domination.
In this not-too-distant future, AR glasses have replaced smartphones, multiplying the level of technological dependence, surveillance and disguised domination. The revolt of people and groups who notice this is also growing, leading a group, supposedly radicalized hackers, to release a digital weapon of unprecedented destructive power, created by the military for controlled application in cyber-wars, which permanently disables everything online, even physically, if possible.
The internet implodes, as does everything that depends on it to function. The unforeseen scale of the collateral effects includes the end of telecommunications, financial markets, banks, supply logistics, transportation, etc. After the chaos that ensues, there is even less left. It's the end of civilization as we know it. The military tries to re-establish control with rifles and tanks, creating permanent civil wars with local gangs and the rest of the population, which self-organizes and occupies in order to survive.
The story alternates between before and after this technological apocalypse.
The technical basis of the scenario is quite feasible — the author often writes about technology and culture for various publications. However, the idea that everyone will wear AR glasses is more dubious today than it might have seemed in 2019, when the book was published. Of course, this doesn't compromise the fiction, after all it’s fiction. And of the highest quality, dealing with the oppression of late technocapitalism, technological dependence, resistance, do-it-yourself self-organization, and the unintended consequences of massively disruptive actions.
My favorite author of contemporary cyberpunk stories was Cory Doctorow. Tim Maughan is stiff competition. “Infinite Detail” has a more fluid and literary style, perhaps, in which the contextual information blends perfectly into the narrative, dispensing with didactic infodumps — sometimes necessary in stories with a heavier technical context.
I already want to read the other book in this same universe: “Ghost Hardware” (2020).
sol2070 finished reading Infinite Detail by Tim Maughan

Infinite Detail by Tim Maughan
BEFORE: In Bristol’s centre lies the Croft, a digital no-man’s-land cut off from the surveillance, Big Data dependence, and corporate-sponsored, …
sol2070 reviewed Piquenique na Estrada by Boris Strugatsky
Entre os melhores clássicos da FC
5 stars
( sol2070.in/2025/01/livro-piquenique-na-estrada-filme-stalker/ )
Entre os clássicos da ficção científica, "Piquenique na Estrada" (1972) é a melhor coisa que li nos últimos anos. Os autores são os irmãos Arkádi & Boris Strugátski, considerados os grandes autores russos do gênero.
O livro é famoso por ter dado origem ao filme "Stalker" (1979), do russo Andrei Tarkovsky, mas consegue se elevar por si só — o que não é pouca coisa, considerando a grandeza do filme.
O que une as duas obras é a Zona, uma extensa área afetada pela “visitação” de, provavelmente, alienígenas. “Provavelmente” porque não aparecem e nunca ninguém viu. No livro, ficaram para trás artefatos misteriosos repletos de efeitos ainda inexplicáveis pela ciência, além dos estranhos perigos fatais da região, e das mutações em quem se aproxima demais.
“Stalkers” são pessoas que se sacrificam entrando ilegalmente para coletar os objetos e contrabandeá-los.
"Piquenique" foi — e ainda é — uma …
( sol2070.in/2025/01/livro-piquenique-na-estrada-filme-stalker/ )
Entre os clássicos da ficção científica, "Piquenique na Estrada" (1972) é a melhor coisa que li nos últimos anos. Os autores são os irmãos Arkádi & Boris Strugátski, considerados os grandes autores russos do gênero.
O livro é famoso por ter dado origem ao filme "Stalker" (1979), do russo Andrei Tarkovsky, mas consegue se elevar por si só — o que não é pouca coisa, considerando a grandeza do filme.
O que une as duas obras é a Zona, uma extensa área afetada pela “visitação” de, provavelmente, alienígenas. “Provavelmente” porque não aparecem e nunca ninguém viu. No livro, ficaram para trás artefatos misteriosos repletos de efeitos ainda inexplicáveis pela ciência, além dos estranhos perigos fatais da região, e das mutações em quem se aproxima demais.
“Stalkers” são pessoas que se sacrificam entrando ilegalmente para coletar os objetos e contrabandeá-los.
"Piquenique" foi — e ainda é — uma original história de contato, pois a humanidade não é nada para os supostos alienígenas, que vieram e simplesmente ignoraram humanos. Como um grupo que faz um piquenique perto de alguma estrada e parte deixando restos e lixo. Animais e insetos estranham a visitação, e se maravilham e deliciam com os objetos deixados pra trás, sem a mínima ideia do que são, como fazem os humanos de "Piquenique na Estrada".
Como diz Ursula K. Le Guin na introdução dessa edição (com ótima tradução, diretamente do russo), outra qualidade é que a Zona é vista através dos olhos de pessoas simples, passando necessidades, sem grande erudição ou sofisticação, ao contrário do que costuma acontecer nas histórias do tipo, com seus geniais cientistas ou pessoas de talento ou poder extraordinários.
Na verdade, é um eufemismo chamar o protagonista Red de “pessoa simples”. Ele é um beberrão bukowskiano que acaba se arriscando como stalker por falta de opção e futuro. O personagem é inesquecível, com sua couraça niilista e canalha. Um dos diversos pontos fortes da história é o conflito entre seu comportamento exterior e o que na verdade sente.
Filme ‘Stalker’ A comparação com o filme não tem muito sentido, como em "Blade Runner" (1982) ou o recente "Aniquilação" (2018), em que livro e filme são coisas quase totalmente distintas. Nessas adaptações para as telas, o objetivo não foi transpor a história para outro formato. São recriações, ótimas por si mesmas. Personagens e até a maior parte do enredo são outros.
Mas aproveitei a leitura para rever "Stalker". Tinha assistido algumas vezes quando jovem, sempre chapado. Não entendia nada, mas gostava. Mais pela cinematografia. A fotografia é memorável! Tarkovsky é daqueles que enquadram cenas como se fossem pinturas, em meio a diálogos existenciais que parecem teatro clássico.
Dessa vez, pude apreciar melhor. No Youtube, a produtora russa disponibiliza o filme na íntegra, em versão restaurada com gloriosa alta definição. www.youtube.com/watch?v=Q3hBLv-HLEc
Só que quem espera apenas um “cultuado filme de ficção científica” pode se decepcionar, e muito. É outra coisa. Arte em um estado mais descontaminado — algo nem tão fácil de apreciar com tudo o que predomina em volta. E o filme foca intensamente no aspecto filosófico da jornada pela Zona. Não é sobre enredo, suspense, ou acontecimentos fantásticos e surpreendentes.
Além da região contaminada, há outro ponto em que o livro e o filme convergem. Há um lugar na Zona que, dizem, concede qualquer desejo de quem se aproximar. O que será pedido? O que vale a pena desejar de verdade? A resposta disso rodeia o âmago da existência humana. As duas obras refletem centralmente sobre isso.
sol2070 finished reading Piquenique na Estrada by Boris Strugatsky

Piquenique na Estrada by Boris Strugatsky, Борис Натанович Стругацкий
EXISTEM SERES INTELIGENTES NO ESPAÇO. MAS, PARA ELES, A HUMANIDADE É IRRELEVANTE.
A cidade de Harmont está mudada. Desde que …
sol2070 reviewed A parábola dos talentos by Octavia E. Butler (Semente da Terra, #2)
Distopia presciente
5 stars
( sol2070.in/2024/12/livro-parabola-dos-talentos-octavia-butler/ )
Em "A Parábola dos Talentos" ("Parable of The Talents", 1998, 560 págs.), Octavia Butler conclui a duologia distópica iniciada com "A Parábola do Semeador", sobre a vida de uma líder espiritual laica em um mundo que começa a ruir.
São livros muito atuais por tratarem de colapso socioambiental, conflitos raciais e religiosos, e a volta do fascismo e da escravização. Escrevendo nos anos 90, Butler projetou o início do fim das sociedades como conhecemos para mais ou menos a época atual.
Esse livro começa cinco anos depois do final do primeiro, quando a protagonista Lauren Olamina chega ao local de sua futura comunidade alternativa. É sobre o recrudescimento social que essa comunidade enfrenta após a eleição de um presidente estadunidense que é a cara de Trump, mas com um cristianismo mais fanático e agressivo. Até o slogan “fazer a América grande de novo” é o mesmo — …
( sol2070.in/2024/12/livro-parabola-dos-talentos-octavia-butler/ )
Em "A Parábola dos Talentos" ("Parable of The Talents", 1998, 560 págs.), Octavia Butler conclui a duologia distópica iniciada com "A Parábola do Semeador", sobre a vida de uma líder espiritual laica em um mundo que começa a ruir.
São livros muito atuais por tratarem de colapso socioambiental, conflitos raciais e religiosos, e a volta do fascismo e da escravização. Escrevendo nos anos 90, Butler projetou o início do fim das sociedades como conhecemos para mais ou menos a época atual.
Esse livro começa cinco anos depois do final do primeiro, quando a protagonista Lauren Olamina chega ao local de sua futura comunidade alternativa. É sobre o recrudescimento social que essa comunidade enfrenta após a eleição de um presidente estadunidense que é a cara de Trump, mas com um cristianismo mais fanático e agressivo. Até o slogan “fazer a América grande de novo” é o mesmo — que Trump reciclou de Ronald Reagan.
Assim como o primeiro livro, é pesado, com um nível de violência acima do normal, incluindo tortura, estupros e diversos tipos de execução.
A diferença é que os diários da protagonista são comentados pela filha dela, escrevendo décadas depois dos acontecimentos, quando a filosofia-religião Semente da Terra, idealizada por Lauren, já se disseminou massivamente pelo planeta.
É uma filosofia laica, que reconhece e aceita os principais aspectos da realidade, sem nenhum elemento sobrenatural, tendo a constante mudança, para o mal ou bem, como o principal deles. Entretanto, as pessoas se engajam nessas ideias de forma espiritualizada, no sentido de se apoiarem nisso nos momentos difíceis, e perceberem o processo maior, além de se integrarem e até o moldarem.
Como apêndice, assim como no primeiro volume, há uma bela entrevista com a autora. Ela conta que escreveu esses dois livros como sendo um, mas terminou dividindo. Planejava escrever mais volumes, em que uma humanidade apoiada por novos valores iniciaria a migração para outros planetas, não como fuga, mas florescimento cósmico. Ela morreu antes, em 2006.
Imagino que se estivesse viva, lamentaria o modo como esse sonho de expansão estelar foi capturado e distorcido por tecno-bilionários como Musk e Bezos, a ponto de se tornar algo ridículo e lamentável.
Admito que também passei a ver isso assim.
Entretanto, no livro, a ideia de a humanidade se espalhar pelas estrelas é como um destino transcendente da filosofia Semente da Terra. Pra mim, ficou nítido que, como ela não possui nenhum elemento de ascensão majestosa, é preciso um objetivo humano que preencha a necessidade de união com algo imortal, vasto e infinito.
Entendo, apesar de não ver viagens espaciais como a melhor forma para realizar isso — na verdade, já estamos flutuando bem no meio do espaço sideral (como diz o Flaming Lips, na canção "Do You Realize?"), em um planeta rodeando o Sol a 30 km por segundo, em uma galáxia a 600 km/segundo. A escritora nunca escondeu que o sonho de uma humanidade interestelar a atraía desde criança, assim como muitos cientistas, como o astrônomo Carl Sagan. Talvez tenha relação com o que mencionei: para pessoas que não consideram nada além da matéria observável, o espaço infinito é o que mais se parece com uma fronteira transcendental.
Um porém da edição brasileira é que a tradução não é das mais caprichadas. Para quem não costuma perceber nuances como o estilo das frases ou a sonoridade dos diálogos, não há problema nenhum. É uma tradução OK, apesar dos erros de gramática que passaram (no livro anterior, até cheguei a pensar que eram propositais, para reproduzir com fidelidade um diário). Mas senti que o estilo da escritora não estava aparecendo, que o ritmo estava desajeitado, e acabei mudando para o original em inglês, o que fez toda a diferença pra mim.
A próxima série da “Grande Dama da FC” na fila agora é "O Padronista", de cinco livros.
sol2070 finished reading A parábola dos talentos by Octavia E. Butler (Semente da Terra, #2)

A parábola dos talentos by Octavia E. Butler (Semente da Terra, #2)
Lauren Olamina está casada e acaba de ter uma filha em Bolota, a comunidade que construiu com outras pessoas que …
sol2070 reviewed O Grande Desatino by Amitav Ghosh
Ainda relevante
3 stars
sol2070.in/2024/12/livro-o-grande-desatino/
O premiado escritor indiano Amitav Ghosh analisa o lado cultural da emergência climática em "O Grande Desatino" ("The Great Derangement", 2016). O título se refere à incoerência de a catástrofe estar pouco representada na cultura, principalmente na literatura, nos anos antes da publicação do livro. Talvez, no futuro, lembremos desse período como “O Grande Desatino”, em que as pessoas fingiam não ver o mundo desmoronando em volta.
Esse aspecto talvez tenha envelhecido mal — quando o assunto é emergência climática, em poucos anos uma análise pode tornar-se obsoleta. Oito anos depois, o assunto está um pouco mais presente, inclusive na literatura. Apesar de isso estar fazendo pouca diferença nas políticas públicas e na destruição das grandes corporações, ainda é essencial que as histórias que contamos sobre o mundo, que moldam a maneira como enxergamos, não negligenciem o atual processo de colapso que adentramos.
Um tema menos presente no livro …
sol2070.in/2024/12/livro-o-grande-desatino/
O premiado escritor indiano Amitav Ghosh analisa o lado cultural da emergência climática em "O Grande Desatino" ("The Great Derangement", 2016). O título se refere à incoerência de a catástrofe estar pouco representada na cultura, principalmente na literatura, nos anos antes da publicação do livro. Talvez, no futuro, lembremos desse período como “O Grande Desatino”, em que as pessoas fingiam não ver o mundo desmoronando em volta.
Esse aspecto talvez tenha envelhecido mal — quando o assunto é emergência climática, em poucos anos uma análise pode tornar-se obsoleta. Oito anos depois, o assunto está um pouco mais presente, inclusive na literatura. Apesar de isso estar fazendo pouca diferença nas políticas públicas e na destruição das grandes corporações, ainda é essencial que as histórias que contamos sobre o mundo, que moldam a maneira como enxergamos, não negligenciem o atual processo de colapso que adentramos.
Um tema menos presente no livro que se tornou muito relevante agora é que passamos a falar mais sobre emergência climática, mas a narrativa predominante é a de um reformismo inócuo. Daquelas sobre carros elétricos, créditos de carbono, como lucrar com a preservação ou promessas de políticos, que não alteram a estrutura de destruição, apenas enganam e, no máximo, quando tudo dá certo, apenas adiam um pouco o cataclismo.
Mas o livro não é só sobre o silêncio ou narrativas que maquiam a falência estrutural. Vale muito pela reflexão sobre os impactos culturais, sobre como esses desastres cada vez mais frequentes marcam e traumatizam a vida das pessoas e povos, como a do próprio autor.
Um bom ponto que Ghosh enfatiza é que a causa não é o capitalismo em si mas, sim, a lógica extrativista que o colonialismo e imperialismo moldaram (também presente em regimes socialistas). Boa parte do livro analisa esse colonialismo.
Recomendo o livro por isso e pela análise sobre como algo tão central como a atual catástrofe climática não pode ser ignorado por quem cria histórias, arte e cultura. Já sobre o desastre em si, de lá para cá, a coisa piorou muito e há obras mais atualizadas sobre os efeitos da emergência, que não se restringem ao clima, sendo mais uma policrise.
sol2070 finished reading O Grande Desatino by Amitav Ghosh

O Grande Desatino by Amitav Ghosh
Neste ensaio sobre a crise climática, o escritor indiano Amitav Ghosh concilia reflexões sobre a literatura contemporânea, a história do …
sol2070 reviewed Hum by Helen Phillips
Tenderness in a suffocating setting
3 stars
(em português: sol2070.in/2024/12/livro-hum-helen-phillips/ )
“Hum” (2024, 272 pages), by Helen Phillips, is a dystopian fiction that is both suffocating and sensitive, about the difficulties of a woman and her family in a techno-surveillance society in ecological collapse.
Despite the futuristic setting, it could just as well be set today, with our current dependence on screens, corporate domination, ubiquitous digital ads, non-existent privacy, disastrous politics and the horror of environmental collapse. The difference is the absurd intensification of these factors, which includes the presence of advertising androids, called “Hum”.
But anyone expecting traditional science fiction may be disappointed, this is more like a backdrop for the drama — of marked internalization — of the protagonist May. Not that this is a flaw, I especially liked the psychological side, without seeing anything too special in the techno-dystopian part.
After losing her job to an AI, May undergoes facial microsurgery, in search of …
(em português: sol2070.in/2024/12/livro-hum-helen-phillips/ )
“Hum” (2024, 272 pages), by Helen Phillips, is a dystopian fiction that is both suffocating and sensitive, about the difficulties of a woman and her family in a techno-surveillance society in ecological collapse.
Despite the futuristic setting, it could just as well be set today, with our current dependence on screens, corporate domination, ubiquitous digital ads, non-existent privacy, disastrous politics and the horror of environmental collapse. The difference is the absurd intensification of these factors, which includes the presence of advertising androids, called “Hum”.
But anyone expecting traditional science fiction may be disappointed, this is more like a backdrop for the drama — of marked internalization — of the protagonist May. Not that this is a flaw, I especially liked the psychological side, without seeing anything too special in the techno-dystopian part.
After losing her job to an AI, May undergoes facial microsurgery, in search of money, for an experiment on methods of obscuring surveillance cameras. Because of her longing for the lost natural world she experienced in childhood, she spends what she can't to take the two children and her husband for a few days in a kind of ecological dome. Unforeseen events, including a well-known internet phenomenon, exacerbate the protagonist's crisis.
It's not an easy read. There is a Kafkaesque tone, of a powerless person massacred by a vast automated system. This is compensated for by the tender moments of warm subtlety, and the character's feelings, without being cheesy. It's also worth it for the impressive ending.
I had read the author's previous acclaimed book, “The Need” (2020). A psychological horror similar to “Hum” in the internalization of a threatening crisis. Another point in common is that the genre of the story is just a backdrop for a powerful inner journey.